4.11.09

Parabéns Pantera

Desde que mudei pro Oeste do Pará, fico revoltada de ver a terra que adotei como minha, ser sacaneada em rede nacional. Todas às vezes que se falava de Santarém, com raríssimas exceções como as notas sobre o Sairé ou as praias no verão, tudo que aparecia nos jornais denegria a Pérola do Tapajós. Tá certo que é um pouco de exagero chamar isso aqui de pérola, mas também ficar esculhambando é demais.
Minha mãe e meus amigos que não moram aqui, sempre me ligavam pra saber o que estava acontecendo quando Santarém era citada em uma reportagem. Um barco que naufragou , crimes ambientais, pedofilia, propina e todo o resto de fuleragem que se possa pensar.
Mas tudo mudou desde o último domingo. Após uma campanha espetacular e meteórica do São Raimundo, time aqui da terra. O Pantera(como é chamado pelos íntimos 100 mil torcedores) elevou o nome da nossa cidade para sempre na história do Futebol Brasileiro. Teve destaque nos principais jornais esportivos do país como o Campeão da série D do Brasileirão. Eu sei que todo mundo deve ta achando graça e pensando, “Porra Malu, série D?”. É isso mesmo, série D, com muito orgulho. Pra tudo tem um começo e esse é o começo da subida pra série A. Pelo menos é o que esperamos.
A nossa região não deixou de sofrer dos problemas de antes, mas gora temos uma razão concreta pra nos orgulhar Nacionalmente. Depois resolvemos o resto. O importante agora é comemorar e parabenizar o São Raimundo. Eita Santinho forte...
E que venham a série C e a Copa do Brasil. Dá-lhe Pantera!!!

Memórias

Estive pensando em escrever todos os nomes das pessoas que passaram pela minha vida. Me assustei com a idéia de que várias delas, até muito importantes na minha trajetória e que me estenderam a mão em momentos de total privação, eu não consiga lembrar o nome. Como eu posso ter esquecido? Será que todas as pessoas com as quais tive algum contato , ainda se lembram de mim? Com certeza não.
Percebi que isso é mais normal do que se parece e não tem nada a ver com ingratidão.
Alguém já parou pra pensar em quantas pessoas a gente conhece durante a vida? Não to falando de amizade virtual não, nem essas coisas de “rede de amigos” do Orkut. Até porque isso é uma fraude. Não sei como alguém pode ter 1524 amigos. Não acho possível , nem tendo 100 anos de vida útil, você fazer 1000 amigos. Mas no Orkut e outras coisas dessas, isso é absolutamente comum. Todo mundo manda um convite ou um pedido de me adiciona pra todo mundo. Uma loucura. Alguém lá no Cazaquistão, manda um convite pra ser seu amigo. Como assim? O que vou falar com alguém do Cazaquistão? Pra começar , que língua se fala no Cazaquistão?
Eu mesmo tenho uma coisa dessas , onde recebo mais de 20 convites diários pra ser “amiga”. Acho um saco. Queria entender como é feita essa seleção, quais são os pré-requisitos pra você enviar um pedido para ser amigo de quem nunca viu ou conhece. Se conhecendo já é difícil ter bons amigos, imagina do nada, apenas de uma fotinho na Internet?
Então, se não lembro de pessoas das quais convivi por pouco tempo, mas convivi e foram importantes de alguma forma, estou longe de lembrar de todos que conheci. Acho que nasci com um cartão de memória muito pequeno e com alguns defeitos(risos).
O que estou querendo dizer, é que não quero deixar que as coisas se percam por aí ou sejam deletadas. Quero que cada minuto, cada pessoa pra quem eu der bom dia, fique guardado em minha memória. Não porque quero ser a campeã do mundo em “amigos”, mas porque sei que atrás de cada uma delas existe uma história, um ser, um irmão de jornada. E que todos de alguma forma, estão contribuindo para o meu crescimento.
E aos que são impossíveis de esquecer( Luiza, Meu Pai, Minha Mãe, Meus Irmãos, Hermes, Meus Avós, Meus Tios, Meus Primos, Meus Amigos e Amores.), quero só lembrá-los:
- Vocês são memoráveis!!! Obrigado por fazerem parte de mim. Eu Amo Vocês!!!

Fé em Deus

Eu tenho tirado muitas lições nas últimas semanas, as quais pretendo usar daqui por diante.
Após voltar várias vezes às páginas que já havia lido ou em trechos que julguei não entender muito bem, enfim consegui terminar o livro A CABANA. Não esperava encontrar em um texto modesto e como uma história como tantas outras de violência e tristeza que conhecemos, uma fonte de vida, de aprendizado e de fé em Deus (ou seja lá qual for o nome que ele tenha). Várias coisas do que li, mesmo sabendo que pode ser tudo viagem do autor e do “amigo” que o inspirou, se encaixam em coisas na qual acredito e na forma de encarar a crença, as religiões e Deus. Sei que o que está escrito ali não é a única verdade absoluta , nem a real descoberta sobre Deus , mas vai de encontro com o que me motiva a acreditar que tem uma força maior do que todas as coisas que movem as engrenagens da vida de cada um de nós. Creio e confio plenamente em um Deus que não precisa de uma religião ou templo pra se manifestar. Acredito em um ser, que por ser o Criador e portanto dono e todas as coisas, nos conhece intimamente. E conseqüentemente não precisa de nada, nem de representantes oficiais, nem de doações, nem dízimos, nem oferendas, nada. Porque ele é e está em tudo e em todos nós. A única coisa que precisamos fazer é deixá-lo viver dentro e através de nós.
Estou fazendo um trabalho de assistência social onde há necessidade de visitações em residências carentes que tenham crianças com algum tipo de deficiência. A cada visita, uma história de pobreza, sofrimento e penúria se apresentam. Me seguro firme em algumas delas pra não chorar ou me mostrar chocada e revoltada com a situação. Em poucos dias , vi saltar aos meus olhos uma realidade cruel, brutal, desumana e da qual não conhecia pessoalmente, apesar de tudo que já passei. Quando voltei pra casa, quase não consegui dormir, pensando em como aquelas pessoas vivem. Com o passar dos dias percebi que mais do que miséria, outro sentimento se manifesta muito forte nessas famílias. Ele é maior que as adversidades e está em cada uma daquelas pessoas, que parecem ter sido esquecidas neste mundo. Não fui em uma casa onde não escutasse alguma coisa como: “- Bom não tá , mas a gente vai levando e vai melhorar com Fé em Deus!”. Em todos os cantinhos, barraquinhos, invasões, favelas, mesmo que Deus parecesse não estar ali , no coração daquelas pessoas ele estava, mais vivo do que nunca e jamais esquecido. Descobri que se há alguma coisa ainda os seguram, os fazem suportar o fardo tão pesado e os amparam na dor e no desespero, isso é Deus. Ali estava ele, na forma mais comum que o conhecemos, na forma de pai acolhedor, pai protetor, pai amoroso. Estava ali, amparando , enxugando as lágrimas, curando a fome e as feridas, dando esperança quando o que se quer é desistir de tudo. Se tem alguém no mundo capaz de fazer isso, esse alguém é ele. O único que nunca nos esquece, mesmo quando pensamos o contrário.
Me senti pequena e mesquinha em sempre exigir tanto pra mim, tanto dos outros. Pensei nas coisas supérfluas que quero, nas minhas queixas sobre os males da minha vida, enquanto tem gente que está carregando uma cruz muito mais pesada. O meu egoísmo não me deixava agradecer a Deus todos os dias por tudo que me deu e me dá. Sou uma filha de Deus perfeita. E no meu caminho, o Senhor se faz presente. Por mais que me sentisse infeliz, sozinha e perdida, Deus nunca me abandonou. E eu nunca o agradeci como devia. Sou totalmente grata a tudo que me deste e por estar comigo segundo a segundo. Meu Amado Deus, quero que viva em mim e através de mim. Estou reafirmando minha fé, minha crença, confiança e meu amor a ti. E quero ser pra todos em meu caminho, fonte de amor, amizade e compaixão. Deus, não é A Cabana, mas a minha maloquinha está e sempre estará aberta pra acolher, abrigar e manifestar o Senhor. Amém!!!

23.10.09

Para Dona Elza

Não vou dizer que é fácil tê-la como minha mãe. Nem que foi agradável a falta de conversa, de carinho, de amor. Muito menos a inveja latejante das mães das minhas amigas.
Quanta bobagem...Hoje , próxima a fazer 39 anos e com um milhão de lembranças que poderiam me render todos os complexos que alguém pode adquirir, a única coisa que me lembro, foram as palavras ditas quase que num sussurro , mas com todos as letras, por Dona Elza:
“- Eu amo você, mais do que qualquer um poderia te amar!”
Receber uma declaração de amor pela qual esperei trinta e oito anos e de supetão,foi como se tivessem jogado uma granada no meu colo. Me deixou atônita e sem reação. Eu que falo pelos cotovelos , joelhos e todo o resto, acreditem, fiquei muda, sem ação. Mas aqui dentro tudo rodava, minha cabeça, meu coração, minhas entranhas. O casal formado pela felicidade e o amor rodopiavam ao som de uma música tocada ao piano , em um salão brilhante. O céu era estrelado e os dois giravam, giravam, giravam...
Passei a minha existência questionando, brigando e reivindicando o amor dela. Fiz greve de fome, greve de inteligência, greve de amor próprio, greve de sanidade, grave de carinho, tudo pra chamar sua atenção. Em retaliação, ela me tirava cada minuto de alegria, cada tentativa de crescimento, cada chance de me reerguer e com um golpe certeiro e fatal me tirou Luiza. Ali acabava uma batalha e começava uma guerra sem precedentes. Ressuscitei dos mortos, colei os pedaços que achei pelo caminho e prossegui em uma trégua muda durantes anos, preparando uma nova estratégia para derrotá-la. Como os vilões que sempre tem planos infalíveis, pensei inutilmente em como vencê-la. Tudo em vão. Depois de perder muitas lutas e deixar vários mortos e feridos pelos campos, descobri que o melhor era me render e tentar aceitar meu triste destino, o de não ter o seu amor. Trilhei um desvio paralelo, abandonei trincheiras que ainda me separavam dela e me convenci que meu amor deveria ser sem cobranças, sem esperar nada. Que mesmo com tudo pelo que passamos, a capacidade de sobrevivência do meu amor por ela só aumentava, o tornando mais forte. A cada dia ele crescia e se mostrava tão grande que dava para nós duas e se derramava sobre os meus irmãos. Constatei que nada eu poderia ou seria sem ela. Resolvi me perdoar e perdoar a ela por tanto sofrimento, dor e desperdício de tempo e amor.
Tudo passou e me dei conta que o meu egoísmo cego , não me deixava ver que não era só eu quem sangrava. Se eu morria todos os dias um pouco, ela também. Hoje sei e tenho a dimensão de quanta dor causei a ela, de quantos pedaços dela não arranquei com minha forte artilharia.
Quando aceitei o meu destino e a minha trajetória nada fácil, entendi e perdoei tudo que ela tinha me feito. Se Luiza foi capaz de me perdoar, porque eu não poderia perdoar minha mãe? Hoje eu sei que mesmo de maneira torta, era a única forma que ela conhecia de amor de mãe. Sei que abriu mão, enfrentou grandes desafios e enterrou sonhos por nós(eu e meus irmãos). Errou muito, mas quem não erra? O que passou, passou. Quero costurar com ela uma nova colcha de retalhos da nossa vida, bordar momentos felizes, dias ensolarados. Desfazer os pontos de cruz das tormentas. Reescrever uma nova história para todos nós, só que com final feliz.
Com todos os erros e acertos dos dois lados, sobrevivemos em nome do amor. Sei que só uma mãe de verdade seria capaz de suportar tudo que ela sofreu e de defender suas decisões com a convicção de estar fazendo o que seria melhor para nós, mesmo que precisasse pagar com a sua própria vida.
A você minha mãe, toda a minha gratidão e meu coração. Obrigada por me fazer a filha mais feliz do mundo quando “declamou” aquelas três palavrinhas com a qual sonhei toda a minha vida. Tenho muito orgulho de você e de ser sua filha. E antes que eu me esqueça:
- MÃE, EU TE AMO!!!!

O Ar!!!

Aos poucos estou me dando conta de que voltei pra “casa”. É difícil não perceber a diferença tamanho o calor infernal desta terra, mas demorou pra me cair a ficha. Até porque acho que não queria ter regressado.
Eu fiquei muito feliz em chegar e ver o Ernesto, a Moema, meus amigos, o Rio Tapajós. No entanto, um pedaço enorme de mim ficou lá, preso no cerrado. Jamais imaginei que ficaria assim após ter passado por Brasília. Foi tudo muito intenso.
O encontro com Luiza foi o primeiro teste ao meu tão maltratado coração. As conversas com minha mãe , rever meu irmão, reencontrar o Hermes, passear pelos lugares onde vivi e reconstituir o passado, mas com outra luz e estampa, me deram um novo impulso, um novo olhar sobre a Capital. É como se estivesse recarregado o garrafão de oxigênio , depois de um perigo eminente de afogamento no mergulho que minha vida deu durante muito tempo na escuridão do nada , do infinito, da solidão. Já quase sem ar, consegui emergi e ver a luz do sol, o vento soprando no rosto, a chance de reviver e recomeçar , exatamente de onde parei de respirar. A segunda chance estava bem ali , na minha frente, me estendendo a mão.
Toda vez que acordo de um sonho delicioso, fico com a sensação que poderia ter dormido um pouquinho mais. É assim que estou me sentindo depois de ter voltado pra cá. Querendo mais.
Quando a gente acorda , tudo parece perder o encanto. Chegar aqui é voltar pras coisas que amo muito, mas também aos problemas. Contas, pepinos do trabalho que ficaram sem solução quando viajei, as queixas, o estresse, o calor, a correria por mais trabalho, enfim, voltar a realidade.
O que me consola , é que estou traçando um plano onde posso viver sonho e realidade ao mesmo tempo. Os dois se construindo e se desenrolando juntos. Tenho pressa de ser feliz, tenha ganas de viver. E tem que ser pra já. Preciso voltar a respirar!!!

20.10.09

Razões Femininas

O fato de ser mulher explica muitas coisas, inclusive eu ter argumentos e pensamentos bem distintos dos que tive em menos de 24 horas.
Mas isso não importa. O que quero dizer é que se parecemos um enigma sem solução, os homens , pelo menos pra mim, se parecem ostras bem fechadas e prezas a rochas sólidas e com campo magnético de proteção.
Enquanto somos o coração , pulsante , passional, apaixonado e vibrante, os homens são o cérebro. Completamente racionais. Respondendo apenas ao estímulo que lhe convier.
Eu sou do tipo romântica, adoro receber flores, cartas de amor, declarações (Jóias. Kkk...), enfim, tudo que tenho direito e mereço. Então cobro quando me acho lesada neste sentido. Em contrapartida, encho meu amor de mimos. Quero fazer do meu amado o homem mais realizado e feliz do mundo. Faço dele o dono dos meus desejos, dos meus sentidos, dos meus prazeres.
Já falei que todos os dias, dou um jeito de mandar nem que seja um recadinho ao Hermes. Para matar minhas saudades, não deixar que ele esqueça o quanto é amado por mim e pra que saiba que é o Senhor dos meus pensamentos. Faço isso porque adoro, porque me sinto bem, porque acho bom poder falar pras pessoas o quanto gostamos e precisamos dela.
É lógico que cada um tem um jeito, age de maneira diferente. Amo o Hermes exatamente como ele é. Mas fico puta, quando abro meu email e não encontro sequer um recadinho dele dizendo uma frase com apenas duas palavras, tipo: - Tenho saudades. Eu sei que ele é muito fechado, tem dificuldades em dizer o que ta sentindo e é mais de agir do que de falar. Mas custa atender aos meus inúmeros estímulos e me retribuir com uma mensagem no celular?
O que me deixa mais irritada, é que ele diz que não tem muito tempo, ta sempre muito ocupado. Eu não me incomodaria se isso fosse verdade. Mas como uma pessoa que não tem tempo de escrever um email de duas palavras, tem tempo de me repassar um monte de tranqueirices cibernéticas que ele recebeu sei lá de quem? Alguém pode me explicar?
Essa praticidade masculina me mata!!!
Plagiando minha amiga Gorete, a “dinâmica de atividades” masculina é muito diferente da nossa.
As nossas prioridades são completamente diversas. Vou dar alguns exemplos.
1-Em uma festa
Mulher: Fica preocupada com a roupa que vestirá.
Homem:Se vai ter muita mulher.
2- Num show ou Micareta
Mulher: Se o lugar onde ficará é bom e vai dar pra ver tudo.
Homem: Se vai ter muita mulher.
3- No cinema
Mulher: Se o filme é romântico e não vai ter muita violência.
Homem: Se a atriz é gostosa e se alguma mulher vai aparecer pelada.
4- Na “pelada” com os amigos(Reparem que até o nome do prática esportiva semanal, tem duplo sentido.)
Mulher: encontro semanal masculino pra jogar bola.
Homem: Dia de sair livre com os amigos pra tomar cerveja em lugares que tenham muita mulher.
5- Amigos
Mulher: que sejam fiéis e confidentes.
Homem: que tenham muitas amigas mulheres pra apresentar.
6- Paqueras
Mulher: Homem interessante e gentil
Homem: Mulher! De preferência gostosas, mas se não for, tudo bem, ”a gente pega também”.
7- Celular e email
Mulher: Só dá a quem conhece, tem algum vínculo ou interesse.
Homem: Pra todas as mulheres que conhecerem.
8- Interesses
Mulher: Família, Trabalho, Amigos
Homem: Amigos, Grana, carro, balada e lógico, muita mulher.
9- Viagem de Férias
Mulher: Se divertir ou descansar, não importa o lugar.
Homem: Lugar que tenha muita mulher!

Eu poderia dar mais um milhão de exemplos, mas acho que todo mundo já entendeu.
Por isso que namorar um cara que além da gente saber que já nasceu e foi criado com outras “prioridades na cabeça” e que não tem sequer um relâmpago de romantismo, me deixa completamente atordoada e me induz a cometer atos tresloucados como os de domingo passado. Além de ser mulher, claro(KKKKK...).

Nós Mulheres...

Será que nós mulheres somos realmente complicadas pras cabeças masculinas? No seriado “Todo mundo odeia o Cris”(que eu amooooooooo!!!), ele não conseguia entender , porque mesmo estando certo tinha que pedir desculpas a uma garota? Foi muito engraçado, pois o pai dele simplificou com a frase: -Peça perdão ou sua vida virará um inferno!
Fiquei pensando se nós somos realmente tão complicadas como as caricaturas que criam ou apenas implicância da maioria dos roteiristas e escritores masculinos? Constatei que poderia ser bem pior. Nós seríamos assim tão perturbadas?
Ontem mesmo tive um ataque. Todos os dias mando um email, uma mensagem, dou um telefonema. Só para dizer ao Hermes o quanto ele é importante, o quanto gosto dele e como sinto sua falta. Coisa de mulher.
No sábado liguei e ele estava numa festa. Não me incomodei, pois não me importo com esse tipo de coisa, acho ótimo ele sair , se divertir. De verdade. Não tenho essas frescuras. Prefiro sempre que quem eu ame esteja se sentindo bem . E como diz o ditado não sei de quem, “prefiro que ele esteja na bola com o pensamento em mim, do que comigo e o pensamento na bola”.
Mas voltando a história, conversamos um pouco, ele falou que ligava depois e tudo bem. Já estava pronta pra me recolher , quando o diabinho começou a me atentar e me lembrar que a casa onde estava havendo a festa, também era freqüentada pela ex. Isso bastou pra que todos os meus poros de alerta entrassem em erupção e eu voltasse a ligar só pra checar se por acaso, só por curiosidade, ela não estava lá. Mesmo sabendo que ele não mentiria pra mim e me falaria sem maiores problemas caso ela estivesse, a resposta negativa a minha pergunta não me contentou. Aceitei, mas não engoli. Porém fiquei aparentemente tranqüila. No dia seguinte continuei com meu casal de amigos. Assamos um peixe, passamos o dia juntos e nada do Hermes ligar como tinha prometido. A noite resolvi mandar uma mensagem pra lembrá-lo de me telefonar. Recebo uma resposta rápida avisando que ele não podia, pois estava no cinema . Foi o suficiente para que minhas células do ciúme e da insegurança se reproduzissem em bandos , como as criança nas comemorações de São Cosme e São Damião. Meu cérebro estava sendo invadido pelo “movimento dos sem auto-estima” ou o “movimento do: Ele está com a ex.”. E eles estavam acampando por todo o meu pensamento. Fiquei descompensada, sem saber o que fazer, esperei durante horas sem resposta, tentei dormir, conversar com meus amigos, ver televisão, ficar na Internet. Nada adiantou. Quanto mais me esquivava, mais fantasmas da traição apareciam pra me assombrar. Como uma mulher à beira de um ataque de nervos, não resisti e liguei. Agora preocupada com a hipótese dele estar usando um “vale motel” pras noites de segunda, que ganhamos juntos. Afinal já era madrugada (risos).
Para o meu alívio , ele atendeu. Depois de conversarmos um pouco e do primeiro impacto,
pois me achava ainda cheia de razão, comecei a cair na real do tamanho mico e equívoco que estava cometendo. Na minha cabeça louca de mulher, em vez de ficar numa boa, esperar uma hora adequada pra falar com ele e saber que não tenho com o que me preocupar já que ele está comigo, não. Simplesmente pirei.
Fiquei super envergonhada e me achando ridícula. Enquanto escutava ele falando manso, tranqüilo e sem entender o que acontecia, mas tentando me explicar e se desculpar sem motivos pra isso, eu inventava outras “queixas” pra que de alguma forma , explicassem minha maneira insana de agir. Tinha vontade de gargalhar com tanta presepice, pavolice e palhacisse(como diria uma aqui do sítio).
Depois que desliguei , fiquei pensando no porque daquilo tudo. Sem falsa modéstia , eu sei que não sou feia. Sou inteligente, divertida, fabulosa, estilosa, loura, leal, amiga, fiel, interessante, sexi, gostosa e por aí vai ...(KKK...)
O que leva uma pessoa como eu, ter um lapso de sentidos daquele?
Após uma rápida reflexão, pois a resposta é muito simples, cheguei ao veredicto.
- Sou mulher, caramba!!!(gargalhadas)

14.10.09

Sábio Dudu

Como diz meu amigo e mentor Du Dourado, “- É coisa de pobre!!!”.
Estou falando isso, porque encontrei um espécime típico Mocorongo, que acha filar bóia boca livre o máximo, ir pra Belém é o último grito, cardápio Paraense é melhor que jantar no Fasano e sair daqui pra encontrar mais Santarenos é uma vantagem...
Eu sei que não são todos, mas me impressiona o ar de superioridade de algumas pessoas que supostamente deveriam ser mais inteligentes e se consideram da high society . Eles acreditam que realmente são especiais ou melhores que as outras.
Na verdade esses tipinhos não merecem nem uma linha do que escrevo, mas a ousadia de “se achar” é tão grande que não me seguro e tenho que sacanear.
Vou dar exemplos do que esse povinho chinfrim acha chique.
Férias: Fortaleza , Manaus ou Belém (= Arigó, Muamba e Nilson Chato).
Praia: Alter do Chão( água encanada, sistema de esgoto e banheiro, só em sonho.).
Bar: Mascote (onde os garçons chegaram junto com os navios de portugueses que aportaram por aqui).
Iguaria: Açaí e Tacacá( um suja todos os dentes e tem gosto de terra , o outro é uma caldo servido com um palito de dentes).
Música: Calipso, Tecno-Brega e Regional.
Carnaval: Blocos com nome em duplo sentido como “A Pomba” , onde a graça e o auge de animação é jogar farinha de trigo e maisena na cara dos outros.
Festival: Disputa de Botos( Imitação descarada do já insuportável Festival dos Bois, só que muito piorado e com mais baixarias e muito calote).
Luxo: Passear na orla da cidade( detalhe , não pode ser orla, pois aqui não tem mar. É no máximo uma Beira Rio).
Lazer: Abrir o carro com som ensurdecedor na “orla” e ficar olhando quem tá passando.
Fashion: Ir pra Boate Fênix( não tinha nome mais original , não?), de mini saia e bota
(aqui quando o clima tá ameno faz 30 graus).
Rush: Só de rede, dentro dos barcos que vão pro Marai, Manaus, Parintins e outros lugares “pitorescos”.
Termo pra designar quem nasce aqui: Mocorongo.
E por aí vai...
Precisa falar mais alguma coisa? Eles se gabam do que mesmo? É muita mediocridade!!!
Mais uma vez:
“-Ô coisa de pobre...”

8.10.09

Vestibular do Amor!!!

Como um personagem de Shakespeare, tem uma pergunta martelando o meu ser e a qual não consigo achar a resposta. Não que o meu QI esteja em baixa e sim pelo fato de que é uma resposta conjunta. Na qual dependo de uma outra pessoa, neste caso o Hermes, para decifrar este enigma. A pergunta é: - Vale à pena namorar a distância?
Alternativas:
( ) A- Não, pois é impossível confiar no ser amado.
( ) B- Não, pra se amar , tem que se estar perto. O que os olhos não vêem o coração não sente.
( ) C- Não, pois as armadilhas da vida estão sempre no caminho e a qualquer momento podemos fraquejar.
( ) D- Não, a distância acaba com o amor.
( ) E- Nenhuma das alternativas anteriores.
( ) F- Sim. Quando se acha uma coisa especial na vida, devemos nos esforçar para tê-la e mantê-la, pois pode ser a felicidade que tanto procuramos que está a nossa frente.
( ) G- Sim . Pois toda forma de amor vale a Pena.
( ) H- Sim, um coração tomado de amor, não cai em armadilhas , seja ela qual for.
( ) I - Sim. Quem ama confia, espera, se sacrifica e vence os obstáculos para ficarem juntos.
( ) J - Sim para as alternativas F, G, H e I.

Se eu fosse responder a esse teste, minha alternativa seria a letra J. Claro que não garantiria a minha aprovação no Vestibular da Vida, mas com certeza, sei que ganharia o passaporte para minha felicidade por tentar e sempre acreditar que sou capaz , digna e merecedora de viver um grande amor. Mesmo que para isso , eu precise passar pela prova da distância.
O problema é a indecisão que se abate sobre a outra parte. Não que eu tenha dúvidas da minha resposta e do meu amor, mas recai sobre mim o peso de Amar sozinha.
Temo por não poder viver uma coisa que poderá ser a estória da minha vida. Simplesmente por insegurança e medo do desconhecido. Não quero perder a oportunidade que bate a porta do meu coração.
Mas não posso forçar meu escolhido a escolher a mim. Então só me resta esperar e torcer pra que nossos gabaritos combinem .
E aí sim, o resto a gente tira de letra!!!

7.10.09

Nada na vida é por acaso!!!

Eu ainda não cheguei em Santarém. Estou com aquela sensação de que ainda não acordei do sonho. Foi tudo tão bom, tão perfeito e tão surpreendente, que fica até difícil de acreditar e pior, de cair na real que voltei pra cá.
Desde os primeiros dias em que cheguei em Brasília, a vida foi generosa comigo. Muitas coisas engraçadas aconteceram e eu até tinha um texto pronto contando detalhes de uma excursão noturna que se prolongou até os meados do dia seguinte. Mas agora pensando bem, sabendo que muitos lêem o que escrevo, resolvi abafar o caso. Porém , não posso deixar de saciar a curiosidade de muitos e a minha vontade de dividir momentos de comédia explícita(literalmente), vividas em um local , onde a idéia principal de criação, era ser um lugar de pouso, para descanso dos viajantes pelas estradas. Mas a única coisa que não é feita nesse local, é dormir(risos).
A noite começou com um passeio maravilhoso pelos bares e ruas largas da capital. Fomos a uma festa na Vivenda, cheia de gente bonita e interessante, música boa e muita animação. Então, pra não deixar a peteca cair e a empolgação murchar, fui coagida a dar uma escapadinha rápida. É lógico que como sou muito difícil, impus resistência, entretanto, sem resultado(KKK...). O charme, a conversa mole e boa do Hermes me convenceu a prolongar a noite.
Enquanto estávamos entre quatro paredes, tudo foi um sonho. Há muito não me sentia tão feliz e realizada. Entreguei-me de corpo e alma. Tudo perfeito!!!
Mas como nada dura pra sempre, junto com os raios fortes do sol da manhã do cerrado, veio também os primeiros mal entendidos, confusões e comédias da vida de um casal recém formado.
O Hermes é desses caras que pensa, “Já que a coisa ta lá , é pra usar. E se não usei, vou levar”. Calma galera, to falando de objetos, ok? Sabe essas pessoas que pegam folheto que te oferecem na rua, palitos de dentes de saquinho, sache de molho, pauzinhos de comida japonesa(mesmo odiando sushi), pois é, ele é assim. Adora levar um “suvenir”, guardar tranqueira. Eu sou o oposto, não quero levar nada, ainda mais quando são de lugares suspeitos.
Na saída , ele vasculhando o quarto , igual aqueles agentes da série C.S.I, ele encontrou vidrinhos de shampoo que não usamos, sabonetes, umas outras besteiras e finalmente um famigerado vidro de sais de banho. Não por falta de aviso, o que era previsível, aconteceu. Aquela voz estranha , saída de uma caixa acoplada a uma cabine secreta(pelo menos pra quem está do lado de fora), avisou que não poderia liberar nossa saída, pois faltava ser pago os sais de banho. Lógico, ele tinha pego uma coisa que não fazia parte do “pacote” oferecido. Ao saber do precinho nada atraente do potinho mágico de sais e já que tínhamos pago esse mico, não deixamos por menos. Sem a menor cerimônia, devolvemos sem relutar. Afinal de contas, pra que o Hermes queria os tais sais se nem banheira em casa ele tem?
Achamos que estava tudo resolvido e de novo aquela voz do além dizendo que nós não sairíamos se não entregássemos um roupão e uma toalha. Olhei pro Hermes, com uma cara de “não acredito que pegou sem eu ver?!”. Voltei descalça, subi correndo ao local do crime e só faltei esfregar na cara da arrumadeira cega as peças que ela afirmava não achar. Como se não bastasse a minha ira, tive o constrangimento de ver a cara de desconfiança da dona da voz metálica da cabine pra nós. Eu queria matá-la.
Enfim , os portões da liberdade se abriram para nós e fomos fazer compras em uma feira de agricultores, com a cara mais lavada do mundo e as gargalhadas.
A partir deste dia, descobri que estava irremediavelmente apaixonada por aquele homem que roubou os sais e meu coração. E calculei naquela manhã, o que quatro semanas após este episódio me confirmaram. Se fui capaz de não dar a menor importância ao que aconteceu, se me diverti muito com tudo e ainda estamos juntos, é porque algo muito especial nasceu ali. Se na nossa primeira vez , fomos capaz de sair ilesos e principalmente felizes , mesmo com todo o constrangimento da situação, é sinal que somos fortes e podemos superar muito mais coisas.
E que nada, nada na vida é por acaso. Nem aquela conversa boba no Fórum em Belém, onde nos conhecemos.

30.9.09

Cada um no seu Quadrado!!!

Nem a maior das ciganas com os poderes de Mãe Diná mais os de Nostradamus, poderia prever o que aconteceu comigo em 20 dias no Cerrado Nacional.
Eu , nos meus mais otimistas sonhos , nunca imaginei que poderia achar no meu PM , o que passei a vida procurando em outros poderes.
Confesso que muitas vezes sinto um abismo entre nós. Não um abismo em forma de vazio, ao contrário, um abismo de descobertas, de coisas que precisamos conhecer um do outro e muito a entender . Somos muito parecidos e ao mesmo tempo opostos. O jeito prematuro com que tive de encarar a vida e os problemas(que não foram poucos), me transformou em uma mulher caseira, com expectativas constituídas, como tranqüilidade, lar, filhos, um bom livro, conforto espiritual, amor sereno(mais nem por isso menos fogoso), enfim, numa caretinha como nunca pensei.
O Hermes é absolutamente o contrário. Não dispensa uma balada, adora estar rodeado de amigos, tem mil atividades, é viciado na web e um gás que não acaba nunca.
Essa vivacidade toda , além de ser um prazer ter por perto, me transporta a tempos remotos e me dá uma alegria e um entusiasmo maior na forma de ver as coisas. Por outro lado, aumenta minha insegurança em deixá-lo sozinho aqui, comigo a quilômetros de distância . Além disso, essa diferença na forma de sermos e agirmos, acaba trazendo alguns mal-entendidos e transtornos.
Por exemplo, ele mora numa chácara, cria um monte de bichos. Cachorros, galinhas, égua, piriguetes(esse gênero ela criava.kkk...) e deixa todos soltos , vivendo na natureza, na maior Paz e Amor. De tanto assistir “A Fuga Das Galinhas”, ele cria as penosas soltas por todo o terreno, que consequentemente cagam em tudo. E não adianta falar nada com ele, pois a desculpa já está pronta e na ponta da língua : -“ Eu não tenho tempo.”. Eu e a torcida do Flamengo , sabemos que se ele freqüentasse menos as noitadas, já teria dado um jeito nesta situação. Além disso, a Arri, a égua, está pra parir e pasmem, ele não fez ainda uma baia pra coitada nem pro rebento que está chegando. Eu não falo mais nada, porque não me acho no direito e sempre gera uma discussão sem tamanho, mas fico preocupada com toda essa cuca fresca.
Eu se tivesse no lugar dele , já tinha agitado tudo, já tinha até berço pro potrinho(risos).
Mas é assim mesmo, cada um no seu quadrado.
Na sexta-feira passada, fomos a um bar encontrarmos uns amigos dele. Para a minha surpresa , susto e vergonha , assim que chegamos , fomos recebidos por uma mesa com mais de trinta pessoas, em um bar lotado e com gritos histéricos de –“Tá namorando, tá namorando...”. Imaginaram a minha cara? Exatamente, foi essa mesma que fiz. Depois do assombro da demonstração exagerada de comoção , relaxei e descobri porque tanta festa. Eles eram das Quatrocentos. Não sabem o que isso quer dizer? Eu explico. São pessoas que cresceram juntas, estudaram juntas e mesmo com rumos e endereços diferentes, um elo de amizade , generosidade , cumplicidade e amor, os mantém mais unidos do que nunca. Fui super bem recebida pela turma das “quatrocentos”(que de alguma forma também faço parte) e sou muito grata por isso. Espero que possamos nos ver mais vezes.
Após uma noite agradabilíssima, me preparei para o teste do dia seguinte, um churrasco da Pedagogia , sob orientação do Querido Lu e do meu Amor. Era esperar demais que as boas vindas da noite anterior se repetisse.
Por alguns momentos me senti em um churrasco lá no Igarapezinho em Alter do Chão. As músicas eram as mesmas, as baixarias também. O que diferenciava era o público, que no Igarapezinho é muito melhor selecionado. KKK... Resumindo, o final do churrasco não poderia ser outro, uma puta discussão por nada.
Pra completar o final de semana, um almoço na casa dos meus “futuros ( mas não menos amados)sogros”. Foi muito legal, minha praia total , programinha light, prosa boa, gente agradável. No final da tarde fomos a um show de umas bandas bem legais, Ponto de Equilíbrio e Natiruts.
No balanço geral , cheguei a uma conclusão. Não importa a profissão , o endereço, a raça. Toda vez que um homem e uma mulher se relacionarem , a confusão estará armada.
Eu e o Hermes, graças a Deus, sobrevivemos e passamos pela prova de mais uma semana juntos. O que para mim, já é um ótimo sinal.
Que os Céus nos ajudem e que venham as próximas!!!